Dar limites

De acordo com Tânia Zagury*, “dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro [....]. Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites – e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. É necessário que a criança interiorize a ideia de que poderá fazer muitas, milhares, a maioria das coisas que deseja – mas nem tudo e nem sempre. Essa diferença pode parecer sutil, mas é fundamental. Entre satisfazer o próprio desejo e pensar no direito do outro, muitos tendem a preferir satisfazer o próprio desejo, ainda que, por vezes, prejudique alguém.
AFINAL, O QUE É “DAR LIMITES”?
Dar limites é...
- Ensinar que existem OUTRAS pessoas no mundo;
- Dizer “sim” sempre que possível e “não” sempre que necessário;
- Só dizer “não” aos filhos quando houver uma razão concreta;
- Mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não podem ser feitas;
- Fazer a criança ver o mundo com uma conotação social (viver com) e não apenas psicológica (o meu desejo e o meu prazer são as únicas coisas que contam);
- Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade (a criança que hoje aprendeu a esperar sua vez de ser servida à mesa, amanhã não considerará um insulto pessoal esperar a vez na fila do cinema ou aguardar três ou quatro dias até que um chefe dê um parecer sobre sua promoção);
- Desenvolver a capacidade de adiar satisfação (se não conseguir emprego hoje, continuará a lutar sem desistir ou, caso não tenha desenvolvido esta habilidade, agirá de forma insensata e desequilibrada, partindo, por exemplo, para a marginalidade, o alcoolismo ou a depressão);
- Evitar que seu filho cresça achando que todos no mundo têm que satisfazer seus mínimos desejos e, se tal não ocorrer (o que é mais provável), não conseguir lidar bem com a menor contrariedade, tornando-se, aí sim, frustrado, amargo ou, pior, desequilibrado emocionalmente;
- Saber discernir entre o que é uma necessidade dos filhos e o que é apenas desejo;
- Compreender que direito à privacidade não significa falta de cuidado, descaso, falta de acompanhamento e supervisão às atividades e atitudes dos filhos, dentro e fora de casa;
- Ensinar que a cada direito corresponde um dever e, principalmente...
- Dar o exemplo (quem quer ter filhos que respeitem a lei e os homens tem de viver seu dia-a-dia dentro desses mesmos princípios – ainda que a sociedade não tenha apenas indivíduos que agem dessa forma)!”
Num próximo encontro falaremos um pouco sobre “dar limites não é...”
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