PÁGINA INICIAL | Aracaju, 09 de Setembro de 2010
 
 


 
 
 
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Filhos "Pidões"

 

                                                           
Quem ama educa, e quem educa precisa aprender a dizer não e a estabelecer regras claras e essenciais para o jogo da vida.
                      
 
            Desde pequenas, algumas crianças demonstram possuir uma grande insatisfação com tudo o que as cerca. Reclamam muito e estão sempre pedindo coisas novas. As mães e também os pais, avós, tios, para tentar resolver o problema, lançam mão de um recurso que na verdade é o que alimenta esse comportamento: cedem e acabam por fazer a vontade da criança, que logo em seguida volta a pedir outra coisa e mais outra.
            Há também aqueles que não pedem especificamente nada, mas choramingam o tempo todo, como se estivessem carentes de atenção e afeto. A única forma de vê-los sorrir é dar um presente, levar a um lugar do qual gostem, tentar adivinhar e realizar seus desejos e assim, por um breve espaço de tempo, tudo parece bem.
            Com a repetição continuada desse quadro, a pequena e tão amada criatura passa a se comportar como um tirano, manipulando a família, transformando bons momentos em momentos de expectativa, de ansiedade e insegurança, pois suas crises de birra acontecem em qualquer lugar e na frente de qualquer pessoa, o que deixa os pais embaraçados.
            O problema maior é que esse comportamento ultrapassa as paredes da casa e chega à escola, onde os professores não podem dar a essa criança o mesmo tipo de tratamento que os pais oferecem e nem podem obrigar as outras a satisfazerem a vontade de uma só! Aí começam realmente os problemas sérios, pois, frustrada, a criança acaba por não querer ir mais à escola, não fazer lições e, por não aprender como poderia, começa a tirar notas baixas. No final de um tempo, aparecem dificuldades de toda ordem.
            Uma benéfica disciplina, em que o amor seja mesclado com os limites, pode solucionar a curto prazo o problema, embora não seja algo fácil nem para os pais, nem para a criança.
            Em primeiro lugar, dizer sim ou não para um pedido infantil requer um posicionamento firme dos adultos. É necessário ter em mente uma justificativa clara, de modo que os pais consigam passar coerência à criança e a ideia de que eles sabem e fazem o que é melhor para ela, pois a amam e só querem o seu bem. Uma boa estratégia é, desde cedo, adiar um pouco a satisfação dos pedidos da criança e lançar mão de uma frase pequena e eficiente: “Vou pensar”. Quando o problema já está instalado, a situação é mais difícil, pois será preciso deixar a criança aprender o que significa um não, aprender a optar, a escolher, a valorizar, a esperar... e ignorar totalmente suas birras, crises de choro e até as chantagens que muitos fazem como último recurso para obter o que desejam. [...]
 
Por Maria Irene Maluf
Especialista em Psicopedagogia
Na poltrona, out.2005
(Fragmento)                           

 
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